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LAEA (laea@laea.com.br) é consultor de informática e resolveu tornar públicas suas inquietações sobre a condição urbana. Para amenizar, resolveu também escrever sobre as coisas de que gosta (filmes, livros, música) e algumas outras coisas úteis.

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  Leitor de Exame há 40 anos

Leitor de Exame há 40 anos

 

Hoje enviei à redação da revista Exame o texto abaixo.

 

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Meus caros,

 

Quando eu tinha treze anos (em 1967) sonhava em ser astronauta. Esse era o perfil do herói da época. Devorei tudo sobre o Projeto Apolo e meu sonho era ser engenheiro. Meu pai trabalhava em uma indústria e chegou às minhas mãos um exemplar da revista "Máquinas e Metais", editada pela Abril. Nela descobri assuntos que me interessavam e também descobri que, enviando um cartão-resposta eu passaria a receber gratuitamente a revista em casa. É claro que fiz isso imediatamente. Com a chegada do primeiro exemplar também descobri que existiam outras revistas que me interessariam: "Química e Derivados" e "Transporte Moderno". Lembro-me que havia uma quarta revista, chamada "Eletricidade ...", mas não estou certo.

 

Na época eu achava que um pedido de assinatura feito por um estudante ginasial não seria considerado, de modo que os fiz em nome de um certo "CPTR - Centro de Pesquisas Tecnológicas do Recife", que ficava em Olinda, no endereço da minha casa.

 

Nessas revistas passei a conhecer aspectos do ambiente real das empresas que não nos eram dados a conhecer nos bancos do colégio. Afinal, eu ainda estava no segundo ano ginasial, apesar de ter o hábito de ler os livros dos anos seguintes.

 

Nessas revistas vinha um encarte de algumas páginas, num papel diferente, mais grosso, como se fosse reciclado, chamado "Negócios em Exame". Como eu sempre tive por hábito ler tudo que passasse em minhas mãos, lia isso também, apesar de achar "estranho", pois não tratava dos assuntos de tecnologia que tanto me interessavam. Mas lia sempre, por hábito, e passei a me interessar também pela forma como as negociações tornavam realidade as coisas que a tecnologia possibilitava.

 

O encarte foi crescendo e, tempos depois, veio um aviso de que ele passaria a ser uma revista separada. Fiquei triste pela possibilidade de não mais poder ler "Negócios em Exame". Mas essa tristeza foi logo dissipada quando recebi o primeiro exemplar da revista.

 

E assim me acostumei a ler Exame desde minha adolescência. Depois a Abril deixou de editar as revistas técnicas e a minha entrada no mercado de trabalho, aos 19 anos, como programador de computador, junto com a responsabilidade da faculdade de engenharia, diminuíram meu tempo disponível, de modo que não assinei as revistas técnicas em suas novas versões. Mas a Exame continuei a ler, seja como assinante, seja comprando na banca.

 

Nestes 34 anos de atividade profissional na área de informática (programador, analista de sistemas, empresário, consultor) sempre continuei a ler Exame, sem falhar. Mesmo nos períodos em que fiz consultoria no exterior, a Exame era comprada aqui e enviada para mim pelo correio.

 

Considero-a a melhor revista brasileira (e olhe que também sou leitor da Veja desde que meu pai trouxe a primeira para casa, aquela vermelha com a foice e o martelo). Acho que se mais brasileiros lessem a Exame esse seria um país melhor.

 

Ultimamente deixei de assinar revistas, mas o motivo é que procuro prestigiar as bancas de revistas locais, de modo que só compro revista em banca, qualquer uma. Minha intenção é ajudar a viabilizar uma atividade que considero imprescindível, mas que parece estar ameaçada pelas assinaturas e pela venda de revistas em supermercados. É enorme a satisfação de percorrer os olhos por sobre as revistas dispostas numa banca à procura de uma edição com algo interessante e encontrar uma revista nova ou desconhecida.

 

Tenho visto os anúncios que vocês vêm publicando na Exame sobre o pessoal que faz esse Brasil que se recusa a sucumbir e que lê a Exame desde os primórdios e, como não encontrei ninguém de 1967, resolvi dar meu depoimento. Não me arvoro de pertencer ao grupo deles pois, embora tenha feito minhas tentativas, não consegui realizar nada daquele porte.

 

Termino aqui minha história parabenizando vocês pelo excelente produto e estou certo que o nível editorial desses primeiros quarenta anos serão mantidos pelos quarenta séculos à frente, quando receberemos a Exame por meio de um download mental.

 

Luiz Antonio Emerenciano Alcoforado

Leitor de Exame desde 1967