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blog do laea |
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LAEA (laea@laea.com.br) é consultor de informática e resolveu tornar públicas suas inquietações sobre a condição urbana. Para amenizar, resolveu também escrever sobre as coisas de que gosta (filmes, livros, música) e algumas outras coisas úteis. |
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Os Monges
Acho que foi em 1981.
Naquele tempo, anualmente, havia o Congresso da SUCESU, a Sociedade de Usuários de Computadores e Equipamentos Subsidiários, que congregava as empresas usuárias de computadores. Naqueles tempos pré-Microsoft, computadores eram aqueles equipamentos enormes, que pareciam geladeiras, conectados entre si por cabos de uma polegada de diâmetro que passavam sob pisos falsos, e com centenas de luzes piscando.
Era a época em que todo mundo pensava que o computador era aquele armário com dois discos girando em alta velocidade. Mas aquilo era a unidade de fita, um dos "equipamentos subsidiários". O computador era um armário mais discreto que, no passado, tinha as tais luzes piscantes mas que, naqueles idos de 1981, nem isso mais tinham. É um engano parecido com aquele que ocorre com frequencia hoje em dia, com muitas pessoas chamando o monitor de computador.
Já existiam computadores menores, chamados de mini-computadores, que permitiam a execução de tarefas de menor porte. Os micro-computadores ainda eram uma promessa no horizonte, Apple ainda era apenas o nome da gravadora dos Beatles e ninguém ainda tinha ouvido falar da Microsoft. Pelo menos essa era a situação aqui no Brasil, amordaçado pela famigerada “Reserva de Mercado”, que nos fez consumir “carroças tecnológicas” por mais de dez anos.
Todo ano, geralmente em outubro, acontecia o tal congresso. Nos anos ímpares era em São Paulo e nos anos pares era no Rio de Janeiro. Naquele ano todas as diretorias das SUCESUs estaduais se hospedaram no então novíssimo Hotel Maksoud Plaza, uma beleza arquitetônica e vitrine de tecnologia, pois pertencia ao mesmo grupo da Sisco, empresa que fabricava mini-computadores. Eu já não mais fazia parte da diretoria da SUCESU-PE, mas fiquei lá também.
Numas das noites fomos a um restaurante muito interessante, chamado "Os Monges", que fazia parte de um grupo compostos por mais duas casas: "As Noviças" (uma casa de chá, onde os clientes eram servidos por garçonetes vestidas de noviças) e "Medieval" (um restaurante, cujos garçons se vestiam com trajes da idade média.).
Em "Os Monges" fomos atendidos por garçons vestidos com batinas de monges, aquelas compridas, marrons e com um gorro grudado na parte de trás da gola.
Éramos Ronaldo, Virgínia, Coca e eu.
O ambiente era totalmente decorado com motivos católicos. Havia quadros de santos pelas paredes e o lugar do caixa estava instalado dentro de um confessionário. Havia uma lareira e sobre ela um quadro representando a última ceia. Na porta dos banheiros a indicação para homens e mulheres eram quadros de Jesus e de Maria. No cardápio os pratos tinham os nomes dos sete pecados capitais.
Uma heresia total.
Não lembro o que pedimos, mas o jantar foi divertido e (estou certo) delicioso.
Quando estávamos no meio de nosso jantar percebemos a chegada ao restaurante de um grande grupo de pessoas de Pernambuco que, assim como nós, estavam em São Paulo por causa do Congresso. Todos eram conhecidos nossos. Lembro-me que, no grupo, estavam Adson Carvalho e Artur Dias, acompanhados com as respectivas caras-metades.
O restaurante tinha alguns reservados, como se fossem claustros, e esse grupo se instalou num deles, de modo que não notaram nossa presença.
A idéia da brincadeira partiu de Ronaldo. Ele pediu a um dos garçons uma roupa de monge, que vestiu por cima da roupa que ele estava. A esta altura o grupo já havia jantado e iam tomar café.
Então um dos garçons da casa começou a serví-los, colocando a xícaras à frente de cada pessoa e enchendo-as de café, enquanto Ronaldo vinha atrás, com o açúcar. Para cada café servido ele colocava diversas colheres de açúcar na xícara, de forma exagerada. Como ele estava com o capuz cobrindo-lhe a cabeça, a princípio as pessoas não notaram que era uma brincadeira e acharam muito estranho aquele monge desobediente, que não parava de por açucar, mesmo quando as pessoas pediam.
Mas Artur percebeu que era Ronaldo por debaixo do capuz.
Hoje "Os Monges" não existe mais.
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