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blog do laea |
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LAEA (laea@laea.com.br) é consultor de informática e resolveu tornar públicas suas inquietações sobre a condição urbana. Para amenizar, resolveu também escrever sobre as coisas de que gosta (filmes, livros, música) e algumas outras coisas úteis. |
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Fatores de Risco Desprezados no Gerenciamento de TI Parte #1 : Seu Informático é Imortal? Hoje pela manhã li um interessante documento, da empresa VMWare, entitulado “As Dez Coisas Mais Desprezadas Quando Se Monta Um Plano De Contingência” (“The Top Ten Most Forgotten Things When Building a Disaster Recovery Plan”), que elenca aspectos supostamente não levados em consideração pelos Gerentes de TI ao montar um datacenter alternativo para assumir as funções do datacenter de produção na eventualidade de indisponibilidade deste. Algum desconto deve ser dado ao texto, já que ele foi escrito para uma platéia de gerentes operando nos USA. Assim, algumas questões muito exóticas para nós (como terremotos) são mencionadas, junto a outras mais próximas, como tempestades e inundações. A lista dos dez aspectos ignorados são: 1 . Falha em identificar tudo que pode potencialmente ameaçar a infraestrutura e os dados usados para funcionar o negócio 2 . Criação de um plano que dependa de poucas pessoas qualificadas 3 . Confiar em processos manuais para notificar o pessoal durante a ocorrência 4 . Falha em prover fornecimento de energia adequado 5 . Esquecer de definir a prioridade de quais recursos devem ser restaurados inicialmente 6 . Falha em criar uma documentação adequada para o plano de contingência 7 . Confiar em backup de dados 8 . Esquecer de testar o plano de contingência 9 . Tornar as senhas muito difíceis de se encontrar 10 . Falha em manter o plano de contingência atualizado Quero aqui tratar do ítem #2. Sobre os outros itens falarei mais tarde. Segundo o documento, “não é incomum que se crie um plano de contingência que dependa de apenas uma pessoa”, e pergunta: e se essa pessoa estiver indisponível? Na verdade, quero destacar aqui duas situações onde o ponto de falha são as pessoas. Entendo que é um assunto polêmico e pode despertar opiniões emocionadas. Mas vou me arriscar. O primeiro cenário descreve uma empresa com um pequeno número de funcionários, altamente qualificados em suas funções, mas com um faturamento de empresa média, e que depende incondicionalmente da infra-estrutura de TI para realizar seus negócios. Apesar do alto teor intelectual das atividades executadas pelo pessoal na atividade-fim, eles são usuários de informática de nível básico, com conhecimentos médios no manuseio de emails, editores de texto e imagens, planilhas, além das aplicações específicas do negócio (ERP, etc). Toda a infra-estrutura de informática dessa empresa é mantida por um único profissional, o qual, apesar de dominar as técnicas necessárias, é a única pessoal que conhece o desenho completo da rede e até mesmo algumas senhas críticas, como a de administrador da rede Windows. Para piorar o cenário ele tem uma moto como veículo de transporte. O segundo cenário corresponde a uma empresa de informática, de pequeno porte, com quatro programadores que lidam com sistemas de diversas idades e escritos em três linguagens de programação diferentes. Desses, três dirigem motos. Um dia, um deles acidentou-se e ficou alguns meses impossibilitado de trabalhar. Para piorar esse segundo cenário, tratava-se do único programador capaz de programar uma das três linguagens, e que era o único responsável por um dos sistemas. A questão que quero colocar aqui é que diversas questões não técnicas devem ser levadas em consideração na concepção do modelo de negócios. Não quero dizer que programadores e informáticos que dirigem moto não devam ser contratados. Conheci (e ainda conheço) muito bons profissionais que dirigem motos. O que defendo é que o empresário deve levar em consideração todos os aspectos que podem por em risco o seu negócio, sob pena de privar sua família e seus empregados de sua fonte de renda. Afinal, se a empresa parar todos serão prejudicados. Assim, lembro que as pessoas não são imortais e que, apesar de não serem insubstituíveis, podem ser de difícil substituição se o fator tempo for levado em consideração. Então, tão importante como manter um backup dos dados e das máquinas, é importante manter um backup das pessoas. (Escrito em 17-SET-2009) | ||||