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blog do laea |
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LAEA (laea@laea.com.br) é consultor de informática e resolveu tornar públicas suas inquietações sobre a condição urbana. Para amenizar, resolveu também escrever sobre as coisas de que gosta (filmes, livros, música) e algumas outras coisas úteis. |
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Nem Batido Nem Mexido Eu tenho fama de chato, mas discordo disso. Recentemente estive em um restaurante e aconteceu algo que, tenho certeza, deixou o garçon pensando que eu era um chato. Na verdade, eu sou preciso, e isso irrita as pessoas, que vivem a vida com informações parciais, que as levam a cometer enganos a cada momento. É preciso haver uma sintonia muito grande entre duas pessoas para que a comunicação flua com a imprecisão que eu vejo ser praticada por todos. O resultado é que enganos acontecem a cada momento. Eu ia me encontrar com outras pessoas e cheguei meia-hora mais cedo. Eu sabia que íamos beber vinho e beber vinho sozinho é que é chato. Numa situação dessas eu costumo começar bebendo outra coisa, mais forte, e espero pela hora do vinho. Assim, depois de esperar por dez minutos sendo solenemente ignorado, como é usual nos restaurantes de Recife, chamei um garçon e perguntei: “Você me faz um Dry Martini?” Ele respondeu “Sim” muito rapidamente, o que me fez pensar por uns três ou quatro segundos e perguntar “Você sabe o que é um Dry Mantini?”. Esse deve ter sido o momento a partir do qual ele começou a me achar um chato. “É claro”, respondeu ele, meio ofendido. “Então me faça um”, disse-lhe. E ele saiu. Nesse ponto do relato gostaria de fazer uma pausa para comentar o vocabulário que eu, deliberadamente, usei. Eu dou muita importância às palavras, pois entendo que elas são nossas ferramentas para nos fazer entendidos pelos outros. Notem que eu usei o verbo “fazer” e não o verbo “trazer”. É que eu entendia que o drink precisava ser confeccionado e que não estava pronto. Mais adiante, ao pedir uma vodka , eu disse “traga-me uma vodka” e não “faça-me uma vodka”. A escolha do uso de “fazer” em vez de “trazer” não foi por acaso. Mas isso passou desapercebido, é claro. Pouco depois ele voltou se desculpando que só tinha Martini Branco, ao que eu retruquei “Então você não sabe o que é um Dry Martini”. Nesse momento ele deve ter me achado mais chato ainda. Perguntei se tinha gin e ele disse que não, então pedi uma vodka. Ele certamente não entendeu nada, e continua se achando garçon. Embora existam atualmente muitas variações, o drink conhecido originariamente como “dry martini” é a mistura de uma parte de vermute seco com quatro partes de gin, levemente batida, servida numa taça de coquetel, guarnecida com uma azeitona verde. Mas pode ser uma fina casca de limão. O drink se tornou muito conhecido por ser o preferido de James Bond, embora o que ele bebe é, na verdade, um “vodka Martini”. Em “Casino Royale”, Bond pede um drink feito com três partes de gin Gordon, uma parte de vodka Smirnoff, e meia parte de Kina Lillet, um aperitivo doce, servido numa comprida taça de campanhe. “Bata bastante até que esteja gelado e então acrescente uma longa e fina fatia de casca de limão”, completa ele. Houve uma época em que eu andava com a receita do Dry Martini na carteira, mas cansei. A verdade é que eu nunca bebi um Dry Martini em Recife, exceto em minha casa. Se vier a Recife um dia, Bond terá que se contentar com uma caipirinha mesmo. | ||||